As negociações entre pecuaristas e frigoríficos continuam cautelosas, informou ontem (9/4) a Agrifatto. “Caso essa tendência persista, as escalas de abate das indústrias brasileiras podem diminuir”, observa a consultoria, acrescentando que, atualmente, o atendimento das programações estão em nove dias úteis, na média nacional.
Na avaliação da Agrifatto, se o padrão de negociação persistir, “é provável que as escalas encolham em um ou dois dias, o que as fariam deixar de serem confortáveis”.
Pelo quarto dia consecutivo, os preços da arroba do boi gordo permaneceram estáveis em todas as 17 regiões monitoradas pela Agrifatto.
Os analistas da consultoria dizem que, provavelmente, os frigoríficos irão intensificar a pressão de baixa sobre os preços do animal terminado durante o período de transição da safra para a entressafra. “Isso pode resultar em desvalorização da arroba no médio prazo”, antecipam os consultores.
Historicamente, o valor do boi gordo em maio reduz quando comparado com os preços de abril. “Dentro dos últimos 29 anos, em 26 vezes o preço de maio foi menor do que o valor de abril, com a maior diferença negativa ocorrendo no ano passado (-7,69%) e uma média de -2,15% de desvalorização no comparativo entre os períodos”, destaca a Agrifatto.
O preço médio do boi gordo em São Paulo permaneceu em R$ 227,50/@, de acordo com apuração da Agrifatto, que faz uma média entre os valores do animal “comum” (direcionado ao mercado doméstico) e o boi padrão exportação (o chamado “boi-China, abatido mais jovem, com idade até 30 meses).
No curtíssimo prazo, porém, os analistas da Agrifatto acreditam que os pecuaristas podem “vencer” a guerra de preços travada com os frigoríficos brasileiros.
“Com o início da primeira quinzena de abr/24 (período marcado pelo pagamento dos salários aos trabalhadores), o escoamento do mercado doméstico (da carne bovinas) deve apresentar melhorias e as boas condições das pastagens dão força para o pecuarista segurar um pouco a oferta, o que pode resultar em sustentação das cotações durante a semana”, relatam os analistas.
Além disso, o mercado futuro segue apresentando melhores expectativas. Na segunda-feira (8/4), na B3, os preços futuros continuaram pressionados para cima e a maioria dos contratos apresentou ajuste positivo. O contrato com vencimento para maio de 2024 ficou cotado em R$ 230,30/@, ligeira valorização de 0,13% no comparativo diário.
Dados Scot
Pelos números levantados pela Scot Consultoria, no Estado de São Paulo, as escalas de abate estão, em média, para 8 dias úteis e as indústrias frigoríficas locais estão aos poucos retornando às compras após analisarem as vendas da última semana.
Mas, diz a Scot, a oferta de bovinos terminados está ajustada e, com isso, as negociações no mercado do boi continuam morosas.
Segundo a Scot, o boi gordo “comum” está precificado em R$ 227/@ na praça paulista, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 205/@ e R$ 220/@, respectivamente (preços brutos e a prazo).
A arroba do “boi-China”, de acordo com a Scot, está valendo R$ 235 em São Paulo, com ágio de R$ 8/@ sobre o preço do boi gordo “comum”.