Após 46 dias de viagem e cerca de 400 km percorridos, a primeira comitiva (que se tem notícia) composta por 100% de animais Brangus a cruzar o Pantanal Sul (em Mato Grosso do Sul), chegou ao seu destino nesta segunda-feira (24 de fevereiro).
Ao todo, 1.270 novilhas (idade entre 12 a 20 meses) e 61 touros partiram no dia 9 de janeiro da Fazenda São Roque, em Aquidauana, rumo à Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Corumbá, mais precisamente no Pantanal do Paiaguás, próximo à divisa com o estado de Mato Grosso.
Com meio século de experiência em comitivas pelo Pantanal e Cerrado, Pantaleão Flores (veja vídeo acima), hoje aos 67 anos, foi encarregado do transporte da boiada.
“Nunca ninguém havia tocado uma comitiva totalmente de animais meio sangue no Pantanal. Foi uma experiência bem sucedida, porém, bastante trabalhosa. No trajeto, nossa equipe, composta por sete pessoas, conduziu o gado por regiões com muita água e extremo calor. Nestas condições, o animal cruzado tende a se desviar, procurando sempre sombra e locais mais frescos. Enquanto o Nelore faz marcha (percurso de um dia) de 18 a 20 km, o Brangus percorreu, nesse caso, média de nove quilômetros. Nos dias quentes, tínhamos de interromper o percurso entre 10 e 12 horas. É uma questão de respeitar o ritmo do animal”, observa.
“Panta”, como é conhecido entre os pantaneiros, explica que a comitiva foi a única forma de transitar com os animais entre as propriedades: “Para chegar nesse ponto do Paiaguás caminhão não passa. No período das chuvas é muita água; na seca é areia pura“.
O deslocamento dos 1.331 animais teve como objetivo levar o grupo para um novo ambiente de cria. Após desmama da futura bezerrada, os machos e as fêmeas de descarte farão o caminho de volta para comercialização imediata ou terminação.
Quem confere fotos ou vídeos da viagem pode estranhar um ou outro animal branco no grupo. “Tem uns 15 animais mais claros de um vizinho que eu levei de carona”, explica.
A boiada é de propriedade da família do pecuarista José Lemos Monteiro (Zé Ito). Este último transporte (outras viagens foram feitas antes com predominância de animais Nelore) serviu para consolidar a preferência do produtor em trabalhar com bovinos cruzados dentro do bioma.
“Não há problema algum em trabalhar com o animal Brangus no Pantanal. As dificuldades só aparecem com as cheias e calor”, observa.
Até o início da manhã desta terça-feira (25/2) ainda não havia um relatório final sobre quantos animais efetivamente chegaram à Fazenda Nossa Senhora Aparecida.
“Um pouco de gado mais novo ficou pelo caminho. Sente muito a pressão da água. A região está bem alagada. É normal. Até o Nelore passa por isso. Sei de problemas com pelo menos duas fêmeas paridas e três mancas. Quando isso ocorre a gente encosta. No geral devem ter ficado umas 30 cabeças. Quando outra comitiva passa, da mesma marca ou não, recolhe o animal ajudando a levar para sua origem ou destino”, explica Pantaleão Flores.