Boi gordo

Preços de balcão afastam pecuaristas das negociações e frigoríficos continuam a "ver navios"

Queda de braço tem encurtado as escalas das indústrias

18 MAR 2025 • POR José Roberto dos Santos • 11h46

Nos últimos dias, a dificuldade no preenchimento das escalas de abate levou os frigoríficos brasileiros a concentrarem esforços na compra de machos terminados. No entanto, relata a Agrifatto, os pecuaristas resistem à pressão sobre os preços de balcão e buscam valores mais elevados pela arroba do boi gordo.

“Essa queda de braço tem encurtado as escalas das indústrias, que agora atendem uma média nacional de apenas sete dias”, informa a Agrifatto, que semanalmente divulga o comportamento das programações dos frigoríficos em alguns dos principais Estados brasileiros que são fortes na produção de carne.

Segundo apuração da Agrifatto, o mercado físico enfrenta um impasse, resultado da baixa oferta de machos aliada à diminuição na disponibilidade de fêmeas.

“Embora ainda acima da média histórica, a oferta de fêmeas vem caindo expressivamente nos últimos dias”, relata a consultoria.

Na última quinta-feira, continua a Agrifatto, essa escassez ficou evidente, quando negociações com a indústria de carne desossada absorveram toda a disponibilidade de vacas casadas, impulsionando os preços. Em contrapartida, o boi castrado registrou leve desvalorização.

“Com os estoques esgotados, o boi inteiro se destacou como a “bola da vez”, sendo comercializado a valores superiores aos das semanas anteriores”, informa a Agrifato.

Nesta segunda-feira, o preço médio do boi gordo na praça de São Paulo continuou em R$ 305/@ – R$ 300/@ para o animal “comum” e R$ 310/@ para o “boi-China”.

Nas outras 16 regiões monitoradas diariamente pela Agrifatto, a média do boi gordo também estabilizou em R$ 286,90/@. “Pelo segundo dia consecutivo, as 17 praças acompanhadas mantiveram suas cotações sem alteração”, ressalta a consultoria.

Na última sexta-feira, a B3 registrou uma tendência de alta na maioria dos contratos futuros. O contrato com vencimento em abril/25 encerrou o pregão com uma cotação de R$ 310,25/@, com leve aumento de 0,78% em relação ao dia anterior.

Preço da novilha cai em SP

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a semana começou com poucos negócios nas praças de São Paulo.

“As ofertas estão equilibradas, mas, para as fêmeas, a disponibilidade está maior, pressionando a cotação da novilha gorda”, relata a Scot. Com isso, a cotação desta categoria sofreu recuo diário de R$ 3/@ nesta segunda-feira (17/3), para R$ 295/@.

Por sua vez, pelos dados da Scot, o boi gordo “comum” segue cotado em R$ 310/@ em São Paulo, a vaca gorda em R$ 280/@ e o “boi-China” vale R$ 313/@ (todos os preços são brutos e com prazo).