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Após os recordes nas exportações em 2024, o mês de janeiro/25 manteve com um bom ritmo
Pecuária bovina
Preços
Desde o começo de fevereiro, os preços do boi gordo vêm recuando, influenciados pela menor compra dos frigoríficos, que voltaram a elevar os dias de espera nas escalas de abate. Como consequência, o índice contínuo do Boi Gordo na B3 apresentou uma baixa de 5% nas cinco últimas semanas. Nas dinâmicas regionais de preço, o destaque ficou com o Mato Grosso, principalmente nas praças de Rondonópolis e Cuiabá, onde as cotações registraram queda de R$ 15,00/@ nas últimas semanas, recuando para R$ 310,00/@. No Mato Grosso do Sul, a queda foi menor, de R$ 8,88/@, com os preços retornando ao patamar de R$ 302,90/@, o que corresponde ao menor nível de preços observado desde a segunda semana de dezembro/24.
Demanda
Após os recordes nas exportações em 2024, o mês de janeiro/25 manteve com um bom ritmo, com o embarque de 180 mil toneladas de carne bovina. Esse nível, porém, ficou levemente abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior, quando foram exportadas 182 mil toneladas. Os principais destinos foram: China, representando 50,5% do total, com 91 mil toneladas; os EUA, com 9,2% do total e 16 mil toneladas embarcadas; e o Chile, sendo destino de 4,5% das exportações, com 8 mil toneladas. Considerando-se os estados de origem das exportações, lideraram os embarques: Mato Grosso (23,2%), São Paulo (19,7%), Goiás (12,3%) e Mato Grosso do Sul (11,2%).
Um tema muito comentado, nesse início de ano, foi o fato de que os EUA estariam com um forte ritmo de compras, podendo atingir rapidamente a sua cota para 2025. Com os dados consolidados de janeiro, no entanto, notou-se que os embarques com destino ao país ficaram abaixo do registrado em janeiro/24, quando foram exportadas 18,1 mil toneladas. Desta forma, ainda há espaço para que as exportações aos EUA cresçam, visto que totalizaram 189,25 mil toneladas em 2024. Caso o governo Trump ratifique as tarifas anunciadas para as importações de México e Canadá, outros fornecedores de carne bovina poderiam se beneficiar. Atualmente, o México é um dos principais exportadores aos EUA, e uma tarifa de 25% poderia conferir maior competitividade à carne bovina do Brasil.
Oferta
Na sua estimativa mensal de abates e oferta de carne, a StoneX atualizou os dados para o mês de janeiro/25. A estimativa, feita com base nos números SIF, indicou que 3,17 milhões de bovinos foram abatidos no período, o que sinaliza um começo de ano aquecido, superando em 10% os registros de dezembro/24. O abate das fêmeas teve uma variação mensal de +15%, superando não somente o mês anterior, mas também janeiro/24, totalizando 1,54 milhão de cabeças abatidas. A participação das fêmeas no total também continuou em ascensão, passando de 46,3% para 48,7%.
Entre os principais motivos para esse aumento na oferta de fêmeas, que proporcionou maior flexibilidade nos frigoríficos, estão fatores climáticos. As secas, queimadas e pragas nas pastagens afetaram fortemente o capim nos últimos meses, dificultando a prenhez das fêmeas que, consequentemente, acabaram antecipando o processo para seu descarte mais prematuro.
Perspectivas
Seguindo o observado nos preços físicos, os contratos futuros na B3 também recuaram. Atualmente, o menor preço é visto para maio/25, em R$ 294,05/@. Já o contrato de outubro continua mais otimista, atingindo R$ 320,65/@, estimulado pelo lado da oferta, diante de uma possível antecipação nos abates das fêmeas neste começo de ano, que poderia diminuir a disponibilidade de carne no segundo semestre. Além disso, está sempre no radar o fato de que uma eventual valorização do dólar poderia voltar a melhorar as margens.
As cotações da soja em Chicago continuam acima de USD 10,00 por bushel, com o mercado acompanhando principalmente a safra da América do Sul. Por enquanto, as expectativas para as safras no Hemisfério Sul se mantêm predominantemente positivas, o que tende a limitar as perspectivas para avanços muito expressivos das cotações da oleaginosa.
Com o clima seco que predominou no Sul do Brasil e na Argentina entre o final de dezembro e janeiro, e mesmo na primeira quinzena de fevereiro, já são estimadas reduções na produtividade para a safra gaúcha e também em Mato Grosso do Sul e Paraná. Além disso, na Argentina, a maior parte das estimativas indicam uma produção de soja abaixo das 50 milhões de toneladas. Por outro lado, outros estados brasileiros estão registrando condições muito favoráveis, com revisões positivas nos números de produção e produtividade. É o caso de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, por exemplo. Apesar das chuvas excessivas em parte do estado, Mato Grosso tem mostrado resultados acima do esperado em algumas regiões com o avançar da colheita. Dessa forma, as outras grandes regiões brasileiras apresentam um cenário muito positivo, compensando boa parte das perdas já estimadas devido à seca no Sul do país.
Confirmando-se uma colheita ao redor de 170 milhões de toneladas no Brasil e um resultado para a Argentina que ainda poderia chegar próximo de 50 milhões de toneladas, a tendência seria de manutenção de um balanço de oferta e demanda mundial confortável para a soja, com a produção estimada ainda superando o consumo.
Milho
O milho se mantém em tendência de alta nos mercados internacionais, com os preços em Chicago já operando acima dos US¢500/bu. Do lado da demanda, as exportações fortes e a produção robusta de etanol nos EUA vêm alimentando o otimismo dos agentes, com expectativas de que o USDA ajuste os seus números de demanda ao longo dos próximos Relatórios de Oferta & Demanda, o que pressionaria os estoques de passagem do país, abrindo espaço para preços mais elevados.
Além disso, o mercado também acompanha, do lado da oferta, a safra sul-americana. Além das perdas na Argentina, que já vem sendo comentadas há algumas semanas, após um clima adverso para o desenvolvimento das lavouras de grãos no país, os agentes também reagem aos maiores riscos envolvidos no atraso do plantio da safrinha, após um regime mais chuvoso que o normal ter atrasado a colheita da soja no Brasil. Ainda assim, temos visto a semeadura ganhando tração ao longo de fevereiro, o que deve fazer com que o milho de segunda safra seja plantado dentro de uma janela adequada em boa parte do Centro-Oeste brasileiro.
Dessa forma, os preços podem ser influenciados por uma perspectiva de oferta mais forte. Ainda assim, a magnitude dessa expansão não está dada e os primeiros indicativos oficiais sobre o tema deverão vir no Relatório de Intenções de Plantio, que será publicado no final do mês de março pelo USDA.