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Tecnologia na pecuária: um grande negócio

30 de janeiro de 2014
O caminho da pecuária moderna segue a rota da tecnologia. É um sinal dos novos tempos, onde a exploração vertical é a única saída para a atividade.  Depois de perder espaço no campo, pecuária experimenta verticalização com salto tecnológico Investimento. Uma palavra que, para os pecuaristas, até pouco tempo atrás se resumia apenas em extensividade da produção e genética do rebanho. A baixa produtividade e os altos custos da pecuária tradicional transformou a atividade num negócio de poucos. Mas a exemplo da agricultura - que experimentou uma revolução tecnológica com o advento do plantio direto, a pecuária também foi buscar na modernidade a segmentação do negócio.
 
Apesar da resistência de muitos criadores, a informação chega com rapidez às propriedades. Na região da Coamo já é possível conhecer bons exemplos de cooperados que estão conquistando excelentes resultados. Eles sabem que quando a criação é o negócio o caminho segue a rota da modernidade. Este é um sinal dos novos tempos, onde a exploração tecnologicamente vertical é a única saída para a atividade.
 
O médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão, revela que o incremento da tecnologia é uma tendência natural na pecuária. "Não há mais espaço para a exploração horizontal, em grandes áreas", admite. O segredo, segundo ele, é trabalhar o novo negócio verticalmente, com ampla produção de escala e em áreas pequenas.
 
O foco principal do criador deve ser a propriedade. Trabalhando menos a extensão e mais a otimização da estrutura, ele vai garantir maior liquidez ao negócio. "Com isso, os custos fixos são mantidos e a rentabilidade é maior. Conseqüentemente, os lucros também são melhores", lembra Rossetto.
 
A viabilidade da propriedade deve estar diretamente ligada aos investimentos. "O criador precisa estar atento ao conjunto de três fatores: alimentação, sanidade e genética", orienta. Na opinião do veterinário, o sucesso do negócio está na produtividade. "Ela é a ponta do negócio e somente será positiva se todos os detalhes forem trabalhados juntos. Assim, o lucro é líquido e certo", salienta.
 
Quebrando tabus - A tecnologia vem fazendo com que a pecuária seja cada vez mais sustentável e rentável. A opinião é do médico veterinário Emílio Zanetti Júnior, do Detec da Coamo em Toledo. O emprego de técnicas modernas de exploração, segundo ele, faz a diferença. "Depois de perder muito espaço na propriedade, a pecuária vem se modernizando nos últimos anos e deu um grande salto em direção a sustentabilidade", afirma.
 
Os avanços a que Zanetti se refere estão calcados sobre a maior profissionalização do segmento. "A extensividade da produção e a genética do rebanho deixou de ser preocupação principal do criador, que passou a investir numa soma de fatores que têm feito a diferença", garante. A busca pelo equilíbrio dos nutrientes do solo - objetivando oferecer uma pastagem de melhor qualidade aos animais, foi o primeiro passo em direção à modernidade. "O pecuarista de hoje não pode mais abrir espaço para os tradicionais tabus que limitavam a produção", acrescenta Zanetti. "Ele precisa estar ciente dessa condição para acompanhar a evolução do sistema", completa. O planejamento deve ser base do negócio, desde o início até o fechamento do ciclo de produção. O setor agropecuário brasileiro contribui com cerca de 11% na formação do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2000, o PIB da pecuária foi superior a R$ 40,5 bilhões
 
Números
O setor agropecuário brasileiro contribui com cerca de 11% na formação do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2000, o PIB da pecuária foi superior a R$ 40,5 bilhões
A pecuária no Brasil ocupa uma área de aproximadamente 120 milhões de hectares
Cerca de 9,7 milhões de hectares é o que corresponde a área de pecuária no Paraná
Na região da Coamo, o segmento ocupa 33% da área de ação - perto de 1 milhão de hectares
Dados: Censo Agropecuário 1996 (IBGE)
 
Investindo no sistema
Quanto custa investir num pacote tecnológico que vai garantir maior rentabilidade ao negócio pecuário? Segundo os veterinários da Coamo não é caro. Eles são unânimes em afirmar que o investimento compensa, diante dos benefícios propiciados ao criador.
 
O volume de recursos a ser aplicado vai depender da necessidade de cada propriedade. Vai depender, também, da situação do pecuarista. Existem os que possuem uma certa reserva de capital e aqueles que necessitam de linhas de crédito, que podem ser acessadas para projetos de correção de solo, adubação e formação de pastagem, aquisição de equipamentos e instalações. A recomendação, em ambos os casos, é que o criador trabalhe passo a passo os investimentos, sempre seguindo as orientações técnicas.
 
Manejo sustentado
O manejo alimentar e sanitário ganham cada vez mais espaço entre as prioridades do criador. A preocupação com a qualidade da pastagem e o calendário profilático dos animais têm garantido eficiência à pecuária moderna. Mas não adianta o produtor investir nesse manejo sustentado sem planejamento. A pecuária é uma atividade que leva tempo para se obter os resultados. Então o criador precisa ingressar nesse processo de mudança com o pé no chão e um cronograma organizado para obter os resultados esperados no negócio.
 
A alimentação é base do sucesso da pecuária. O criador tem que, necessariamente, se preocupar com fornecimento de forragem em piquetes que suportem o volume de animais e se preparar para inverno. "O combustível da nova pecuária é o capim", afirma Emílio Zanetti. Mas é preciso saber manejar a planta. "A proteína forrageira diminui com o passar dos meses: no verão sobe, cai no outono e na entrada do inverno é quase zero", explica.
 
Geralmente os nascimentos dos animais ocorrem entre os meses de julho a setembro. "Isso acontece porque a própria natureza já se encarregou de fazer os animais entrarem no cio na época de maior fornecimento de pastagem, entre novembro e janeiro", lembra o veterinário. A pastagem, segundo ele, tem que ter disponibilidade de forragem e o produtor deve reaprender a manejar os animais. "Hoje, no mercado, existem muitas tecnologias disponíveis ao pecuarista. Cabe a cada um buscar a informação para aplicá-las no momento certo e da forma correta", orienta.
 
Sanidade - Além de trabalhar com o tipo de alimentação adequada, o pecuarista também precisa estar atento ao combate dos ecto e endoparasitas que são proliferados com a bioclimatologia da região. Sem contar as doenças contagiosas e infecto-contagiosas do rebanho. "Não se pode admitir que o criador deixe o controle sanitário para segundo plano. A preocupação com a saúde dos animais também é fundamental. Por isso, é preciso vencer as doenças e parasitas com planejamento e prevenção", alerta Hérico Rossetto.
 
Empurrão no comodismo
Há 8 anos a produção leiteira no Seminário Verbo Divino, em Toledo, era destinada apenas para o consumo diário da instituição. Mas hoje supera com facilidade os 2 mil litros por dia. "O negócio cresceu e se desenvolveu graças aos investimentos promovidos na melhoria da pastagem e manejo do plantel", comemora o padre Solano Alcioni Tambosi, reitor do seminário e cooperado da Coamo. A instituição administra 75 alqueires de área, dos quais 7 são destinados à pecuária.
 
A informação também fez a diferença para o cooperado Vicente Barcarol Soares, de Luiziana, que confessa ter dado um empurrão no comodismo. A baixa produtividade limitava a lotação na pastagem, apesar da área de 30 alqueires - de um total de 89, reservada para a pecuária. Ele chegou a pensar em abandonar a atividade, mas percebeu que a única saída seria o investimento. Seguindo as orientações do Detec da Coamo, Barcarol incorporou tecnologia à pecuária leiteira e teve uma surpresa: ampliou em 30% o índice de produção diário das vacas. Com a produção, o cooperado atinge hoje um volume de 250 litros de leite por dia.
 
"O verão era a fase mais difícil", conta Barcarol. No inverno, o cooperado garantia a alimentação do gado com o cultivo de aveia e silagem de milho. Mas a pastagem perene, apesar de ter sido cultivada, não suportava 3 cabeças por alqueire. "A solução estava no equilíbrio dos nutrientes do solo", lembra o cooperado. Com a correção dos nutrientes, ele recuperou a biomassa do capim e a lotação subiu para 13 cabeças por alqueire. A tecnologia também incorporou o pastejo rotacionado, ampliando de 3 para 11 número de piquetes.
 
Garçom de vaca - No Seminário Verbo Divino a solução também estava na melhoria da pastagem. A área de pecuária foi dividida em 19 piquetes, com média de ½ hectare cada. A grama e o capim dividem espaço no verão. O potencial da pastagem é mantido com adubação química e nitrogenada à base de esterco de suínos e das próprias vacas. No inverno, a alimentação é garantida com aveia e azevém, cultivados sobre a pastagem perene, complementando com forragem de aveia, silagem de milho e minerais. A receita tem dado um excelente resultado. "Estamos mantendo produtividade dos animais mesmo no inverno", garante o padre Solano.
 
Outra vantagem destacada por ele é a redução dos custos para a manutenção do negócio. "Diminuímos o percentual de comida servida no cocho e aumentamos a produção a pasto", esclarece. No verão, segundo o padre, há sobra de pastagem, mesmo com a alta lotação. "Até fazemos silagem de capim, que ajuda a garantir a alimentação da vacada no inverno", completa.
 
Em ambos os casos o conjunto de atividades desenvolvidas na propriedade (melhoria da pastagem, genética, instalações, sanidade e muito carinho no trato dos animais) foram decisivos para o sucesso do negócio. "Acho que toda a pessoa que busca melhores resultados em seu ramo de atividade tem que ter bastante curiosidade. Não podemos mais trabalhar como os nossos avós. Precisamos nos modernizar sempre e ganhar em conhecimento e produtividade. Nesse sentido somos privilegiados, porque podemos ter ao nosso lado uma cooperativa como a Coamo", conclui o padre Solano Tambosi.
 
A pecuária sempre foi atividade principal do cooperado José Carlos Teixeira Pinto, em Iretama. Mas o negócio passou a ficar praticamente inviabilizado, diante da falta de tecnologia. Foi quanto a pecuária tradicional deu lugar a um sistema tecnificado com exploração vertical do potencial produtivo da propriedade. Além de agregar maiores perspectivas ao negócio, o cooperado garantiu mais vida à propriedade.
 
Com uma visão um pouco diferente do negócio, mas também disposto a investir na tecnologia, o cooperado Ivanir Antonio Durigon, de São Pedro do Iguaçu, vem transformando a sua propriedade com o incremento da pecuária. Agricultor por profissão, ele sabe bem que os investimentos são a única saída para ampliar o potencial e o rendimento de qualquer negócio. Com apoio da Coamo, Durigon encontrou na pecuária de corte a parceria que faltava para otimizar os resultados no inverno, substituindo o cultivo do trigo pela engorda de animais.
 
A receita deu certo e promete garantir maior renda na entressafra. "Sei que ainda preciso aprimorar os conhecimentos em torno da nova atividade, mas estou otimista", revela Ivanir Durigon. Ele compara a eficiência do negócio com a valorização das terras regionais. "O custo da terra na região é muito alto. Por isso, é preciso conduzir a atividade com eficiência para alcançar os resultados desejados".
 
O apoio da Coamo também foi decisivo para a retomada do cooperado José Carlos Pinto. A principal mudança aconteceu na linha materna. "Estamos padronizando as matrizes para a produção de bezerros tri-cross, nascidos do cruzamento de três raças estrategicamente definidas e exclusivos para terminação", revela. O projeto busca aumentar a taxa de fertilidade das vacas e o número de bezerros nascidos, além de reduzir a idade de desmame e de terminação.
 
Tecnologia - A área de pastagem perene, na propriedade de Ivanir Durigon, foi ocupada com capim, em piquetes divididos em tamanhos iguais, com ajuda de GPS (Sistema de Posicionamento Global, por satélite). No inverno, os animais pastoreiam áreas de aveia e azevém, além de receberem suplementação mineral.
 
A dificuldade na aquisição de lotes de animais de boa linhagem genética viabilizou uma alternativa. Nesse primeiro ano, os negócios estão sendo feitos em parcerias firmadas com outros criadores, para engorda de animais.
 
Suporte alimentar - Para dar suporte alimentar aos animais, João Carlos Pinto também vem investindo na melhoria da pastagem, buscando viabilizar a alimentação no pasto tanto no verão como no inverno. "O pastejo rotacionado no verão tem feito com que o gado aproveite melhor o capim, o que ajuda a controlar os problemas sanitários naturalmente", explica. No inverno, segundo ele, os animais pastoreiam áreas de aveia e azevém e recebem um complemento alimentar no cocho à base de silagem de milho e minerais. Os bezerros recebem ração em separado dos demais animais, em sistema creep-feeding, para aumentar o peso na desmama e exigir menos das vacas.
 
O controle sanitário também é coisa séria. Levando em conta os índices de precipitação e os níveis de temperatura, os técnicos da Coamo elaboraram um calendário profilático estratégico para o controle dos parasitas e de doenças. Os resultados alcançados até agora, na propriedade de José Carlos Pinto, não poderiam ser melhores: altas taxas de fertilidade das vacas, desmame com média de 7,5 arrobas e bezerros terminados aos 17 meses com 257 quilos.

Fonte: Jornal Coamo
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