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Avanços em biodiesel exigem investimentos em biomassas alternativas

08 de novembro de 2019
A necessidade de diversifica√ß√£o de mat√©rias primas para a produ√ß√£o de combust√≠veis, a partir de √≥leos vegetais, mobilizou representantes de  universidades, institui√ß√Ķes de pesquisa e associa√ß√Ķes de produtores, no terceiro dia, 6 de novembro, do VII Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inova√ß√£o de Biodiesel.
 
Palestrantes, em tr√™s paineis sobre o assunto, defenderam novos investimentos na pesquisa de biomassas alternativas e pol√≠ticas p√ļblicas que contribuam para a estrutura√ß√£o de cadeias produtivas a elas relacionadas. O Congresso √© uma realiza√ß√£o do Minist√©rio da Ci√™ncia, Tecnologia, Inova√ß√Ķes e Comunica√ß√Ķes (MCTIC) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu√°ria (Embrapa). O evento prossegue at√© esta quinta-feira, 7, em Florian√≥polis (SC).
 
Uma das teses comuns √†s discuss√Ķes e aos  trabalhos apresentados  √© a proje√ß√£o de maior demanda mundial por √≥leos vegetais, tendo em vista o  aumento da popula√ß√£o do planeta e as poss√≠veis novas aplica√ß√Ķes dos produtos.
 
De acordo com dados apresentados pelo professor S√©rgio Yoshimitsu Motoike, da Universidade Federal de Vi√ßosa (UFV), o mercado mundial de √≥leos vegetais tem aumentado 3% ao ano. Lidera esse mercado a palma de √≥leo, que responde hoje por cerca de 69 milh√Ķes de toneladas, seguida pela soja, com participa√ß√£o aproximada de 57 milh√Ķes. 
 
Ainda segundo Motoike, a atual popula√ß√£o do planeta, de 7,7 bilh√Ķes de pessoas,  consome 197 milh√Ķes de toneladas de √≥leo vegetal (produ√ß√£o mundial), um consumo per capita de, aproximadamente, 26 quilos de √≥leo.  Mais dois bilh√Ķes de pessoas em 2050 exigiria um acr√©scimo de 51 milh√Ķes de toneladas na produ√ß√£o de √≥leo vegetal para atender o mesmo padr√£o de consumo. “O que significa que temos um mercado potencial enorme. Se fossemos contar com a soja para resolver essa demanda projetada, ter√≠amos que plantar outros 125 milh√Ķes de hectares. Temos espa√ßo para isso?”, perguntou o professor.
 
“A maca√ļba √© grande tesouro da biodiversidade brasileira”, disse  Motoike, defendendo a palmeira como alternativa vi√°vel para atender √† demanda de √≥leo. “Ela √© excepcional para a alimenta√ß√£o e para a produ√ß√£o de biodiesel. E tem papel important√≠ssimo na √°rea ambiental. Produz uma quantidade de √≥leo muito parecida com a obtida pela soja, necessitando de muito menos √°gua”.
 
O professor chamou a aten√ß√£o para outras vantagens da palmeira. Lembrou que a maca√ļba tem uma plataforma multi produtos. “Um pouco diferente da palma, que concentra 90% dos seus produtos no √≥leo, com a maca√ļba temos outras op√ß√Ķes de valor agregado, a exemplo do farelo da torta, comest√≠vel e rico em nutrientes.  E ainda h√° as folhas e a casca que podem gerar energia”.
 
Experi√™ncias de cultivo, tecnologia e a possibilidade de implantar a cultura em pastagens degradadas e em cultivos consorciados  foram outras vantagens apontadas pelo professor.  Ele citou, ainda, o “aumento impressionante”  de publica√ß√Ķes no Google Scholar sobre a maca√ļba – de 300 publica√ß√Ķes em 2000 a cinco mil publica√ß√Ķes hoje. “Pelo  menos 360 publica√ß√Ķes s√£o em revistas de alto impacto, inclusive na √°rea de bioenergia”.
 
Para Simone Favaro, da Embrapa Agroenergia, cuja palestra foi voltada a oportunidades de pol√≠ticas p√ļblicas associadas √† produ√ß√£o de maca√ļba pela agricultura familiar, a cadeia  produtiva da planta est√° no seu “nascedouro”. Por isso, segundo ela, precisa de a√ß√£o conjunta dos setores envolvidos para “transformar o potencial da maca√ļba em realidade”.
 
Na sua palestra, Simone Favaro definiu e apresentou tipos de  pol√≠ticas p√ļblicas e falou sobre iniciativas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “A estrutura√ß√£o de fato da cadeia da maca√ļba exige passos que devem ser seguidos pela academia, pelo governo e pelo setor privado”, disse a pesquisadora.  
 
√ďleo de palma
 
Roberto Yokoyama, Diretor da Dend√™ do Brasil S/A (Denpasa), v√™ para a palma de √≥leo, j√° l√≠der no mercado de √≥leos vegetais, um “futuro ainda mais promissor”. Segundo ele, a palm√°cea √© especializada em produzir √≥leo por meio da fotoss√≠ntese, com potencial significativo para o biodiesel, apesar de estar direcionada, hoje, somente para o setor aliment√≠cio. Yokoyama √© tamb√©m presidente da Associa√ß√£o Brasileira de Produtores de √ďleo de Palma (Abrapalma) e da C√Ęmara Setorial de Palma de √ďleo.
 
Assim como S√©rgio Motoike, Yokoyama chamou a aten√ß√£o para a crescente demanda internacional por √≥leos vegetais e, em especial, pelo √≥leo de palma,  o que pode abrir, na opini√£o dele, oportunidades para o Brasil. No Pa√≠s, 90% da produ√ß√£o est√° concentrada no nordeste do Par√°, com alta produtividade e condi√ß√Ķes de expans√£o, segundo o diretor da Denpasa, para quem o Brasil tem condi√ß√Ķes de chegar a competir com o sudeste asi√°tico. Indon√©sia e Mal√°sia s√£o atualmente os maiores produtores. 
 
“Comparada √† soja, a palma produz dez vezes mais por unidade de √°rea. E aqui √© produzida de forma sustent√°vel, sem causar desmatamento”, afirmou Yokoyama, lembrando o fato de que, no fim da d√©cada de 1990 e in√≠cio dos anos 2000, a Embrapa elaborou o zoneamento  agroecol√≥gico para a cultura, orientando que  o plantio se desse apenas em √°reas j√° desflorestadas. “A expans√£o ocorreu seguindo √† risca essas orienta√ß√Ķes”, ressaltou.
 
De acordo com dados da Abrapalma, a cultura gera, no Brasil, 20 mil empregos diretos e promove renda, em especial para o agricultor familiar – a palm√°cea pode ser produzida em pequenas √°reas.
 
Yokoyama lembrou tamb√©m que a palma de √≥leo √© uma cultura perene e, dependendo da variedade, tem um ciclo de 25 a 35 anos. “Precisa ent√£o do qu√™ para chamar os investidores?”, perguntou. “Seguran√ßa jur√≠dica e isso significa regulariza√ß√£o fundi√°ria, ponto j√° levantado h√° mais de dez anos e qe pouco avan√ßou, e um modelo de financiamento de pesquisa que venha a  atender culturas perenes.  Hoje pesquisas s√£o financiadas por um per√≠odo de tr√™s anos e n√£o se consegue renovar, o que faz com que todo um trabalho seja perdido”, concluiu. 
 
Inova√ß√Ķes em engenharia de processos e destinadas a ampliar a efici√™ncia industrial, tecnologias de produ√ß√£o, maior escala de produ√ß√£o de esp√©cies anuais e de microalgas para biodiesel, e produ√ß√£o do biocombust√≠vel a partir de mat√©rias primas residuais e de baixa qualidade s√£o temas tamb√©m tratados no Congresso.
 
Na manh√£ desta quinta-feira, 7 de novembro,   os impactos das mudan√ßas clim√°ticas no transporte a√©reo e as perspectivas para os combust√≠veis renov√°veis para a avia√ß√£o no Brasil ser√£o discutidos.  A industrializa√ß√£o na cadeia produtiva das oleaginosas e as novas oportunidades para o biodiesel no contexto da bioeconomia tamb√©m est√£o na programa√ß√£o. 

Fonte: Embrapa
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Foto: Divulgação
O mercado mundial de óleos vegetais tem aumentado 3% ao ano