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Consumidor mais exigente, mais oportunidades para inovação, diz presidente da Embrapa

14 de março de 2019

O presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, foi palestrante, na manhã desta quarta-feira, 13, do Anufood Brazil. Ele falou no painel “Indústria de Alimentos” e chamou a atenção para os desafios para a pesquisa agrícola e para a indústria, tendo em vista as transformações no mercado de consumo, cada vez mais diversificado e exigente.

Ele apresentou a trajetória da agricultura brasileira, destacando o papel das instituições de pesquisa em enfrentar o enorme desafio da produção no cinturão tropical do globo. Citou ainda a ousadia e a iniciativa de agricultores que deixaram suas regiões de origem e de profissionais liberais que abandonaram a profissão original e foram ao campo para produzir alimentos. Segundo Barbosa, políticas públicas junto com a competência da pesquisa e dos agricultores deram ao Brasil o destaque mundial na produção de alimentos.
 
“O Brasil passou de grande importador para um dos maiores produtores do mundo e esta trajetória segue em evolução”. Para ele, a ciência aplicada à agricultura vai garantir que o País continue alimentando o mundo sem ampliar a área cultivada.
 
De acordo com Sebastião Barbosa, entre as conquistas da agricultura brasileira a partir do investimento em ciência estiveram a transformação de solos ácidos e pobres em solos férteis, a tropicalização de variedades e raças e o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável. Citou como exemplo a construção da fertilidade dos solos e tecnologias como a fixação biológica do nitrogênio. Apenas esta tecnologia, e somente no caso na soja, deu ao País na safra 2016/2017, uma economia de R$ 13 bilhões.
 
Mais oportunidades para inovação
 
O presidente da Embrapa explicou que os consumidores estão cada vez mais exigentes, gerando oportunidades para inovação tecnológica no agronegócio. Destacou a necessidade de maior segurança e chamou a atenção para um novo conceito de qualidade, com associação direta a benefícios à saúde e à prevenção de doenças. Citou, por exemplo, a mudança de paradigma, da cura de doenças para a prevenção e o aumento da densidade nutricional e funcional dos alimentos a partir das conexões entre nutrição e saúde.  
 
Entre as características cada vez mais importantes para os alimentos estão a origem em produção sustentável, existência de valor nutricional e funcional acentuado, maior vida útil e características sensoriais como aparência, sabor, textura, cor e odor mais próximas do interesse do consumidor. Também chamou a atenção para dados da FAO que mostram que 30% dos alimentos são perdidos antes de chegar na mesa do consumidor, explicado que a redução desta perda significaria mais alimentos disponíveis para a população.
 
A necessidade de transparência na segurança dos alimentos e em seu rastreamento demandarão mais fortemente capacidade de auditagem do ambiente onde são produzidos, mas também de bem-estar animal, mercado justo, ingredientes funcionais e sustentabilidade.
 
Abordando o futuro da inovação agropecuária brasileira citou a complexidade cada vez maior do contexto social e destacou as questões climáticas, de mudanças demográficas, o nexo água-energia-alimento e as questões relacionadas à segurança biológica. Entre as soluções para a agricultura apontou a intensificação sustentável, com a redução da expansão horizontal da área e o fortalecimento da expansão de produção no mesmo espaço, ou seja, maior eficiência.
 
Para o presidente da Embrapa, os sistemas integrados são uma nova fronteira da agricultura e citou como exemplo a ILPF, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, tecnologia desenvolvida pela Embrapa há mais de 30 anos. Pesquisa encomendada pela Rede de Fomento ILPF identificou que o Brasil, já na safra 2015/2016, contava com 11.468.124 ha com sistemas integrados de produção agropecuária. Também destacou as possibilidades da bioeconomia, área ainda emergente e que deverá beneficiar a agricultura brasileira devido a sua base de recursos naturais e capacidade para oferta de multifuncionalidade.
 
Ao final, Sebastião Barbosa destacou a redução de perdas e do desperdício de alimentos como um dos grandes desafios da sociedade brasileira. Para ele, isso deve ocorrer no campo, mas também no atacado, varejo, nos domicílios, ou seja, ao longo de toda a cadeia de produção. Disse ainda que uma agricultura baseada em ciência ajudará o mundo a enfrentar os desafios de fornecer, de forma sustentável, alimentos que não apenas diminuam a fome, mas também contribuam para melhorar o estado nutricional e a saúde da população.
 
A mesa teve a participação do chefe da Divisão de Agroalimentos, Comércio e Mercado da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Jonathan Brooks, do presidente do Conselho da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Wilson Mello.
 
O evento
 
A Anufood Brazil é uma feira de negócios exclusiva para o setor de alimentos e bebidas, que se realiza até 14 de março, no São Paulo Expo, na capital paulista. Participam do Anufood Brazil as principais empresas dos setores de alimentação do Brasil e da América Latina, incluindo supermercadistas, atacadistas, varejistas e distribuidores. A estimativa é de que participem 150 marcas expositoras e de sete mil visitantes.
 
É a primeira vez que o Brasil sedia o evento. Entre  os setores representados estão produtos frescos, in natura, matérias-primas, gourmet, delicatessen, carnes, laticínios e derivados de leite, pães, bebidas, chocolate, culinária e alimentos orgânicos. Um destaque apontado pelos organizadores é a área de produtos orgânicos, segmento que tem crescido no Brasil e que ganha adeptos a cada ano. A realização é considerada um marco para o setor alimentício brasileiro, que, para Cassiano Facchinetti, diretor da Koelnmesse do Brasil, empresa organizadora, “precisa de um evento independente e exclusivo para a indústria alimentícia”. A Koelnmesse tem a parceria da FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getúlio Vargas.

Fonte: Embrapa
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Para ele, a ciência aplicada à agricultura vai garantir que o País continue alimentando o mundo sem ampliar a área cultivada