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Cientistas desenvolvem metodologia para medir emissões de GEE na aquicultura

15 de fevereiro de 2019

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe, (São José dos Campos, SP) criaram um Modelo para amostragem e avaliação de Gás de Efeito Estufa (GEE) em reservatórios com produção aquícola para fazer frente à quantidade e à complexidade das demandas por mais informações sobre as emissões associadas a aquicultura no Brasil.

O documento apresenta um conjunto de tecnologias e metodologias testadas e verificadas para amostragem e determinação de GEE em reservatórios. Com pequenas adaptações, estas metodologias também poderão ser extrapoladas para outros corpos d’água, como no mar ou água doce, em tanques escavados, ou ainda em outros tipos de produção aquícola, como a produção de mariscos e ostras em ambientes marinhos.
 
Conforme explicou um dos autores, o bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI-A do CNPq), vinculado ao projeto BRS Aqua, Marcelo Gomes da Silva essas não são propriamente metodologias inovadoras, uma vez que existem diversas outras formas de medir GEE. “As vantagens destes métodos é que foram testados e se apresentaram como os mais indicados para realizar esse tipo de trabalho.  O baixo custo dos equipamentos, obtenção de dados confiáveis, a facilidade de manuseio no campo e a facilidade de manutenção, aliada à facilidade de deslocamento com os equipamentos no campo foram determinantes na escolha para amostrar as emissões nesse tipo atividade”. Gomes ressalta ainda que a metodologia não necessita de uma pessoa especializada para utilizar os equipamentos. “Um produtor consegue aplicar os métodos na sua propriedade, após um breve treinamento com facilidade, ” disse.
 
Importância de se determinar as emissões da aquicultura
 
A metodologia é mais um passo para o entendimento do real impacto da criação de peixes em tanques-rede em reservatórios da União. Atividades agropecuárias como a bovinocultura tem sido muito cobrada devido à alta emissão de GEE. As informações sobre as emissões associadas à cadeia produtiva de peixes ainda são escassas e não permitem comparação com as principais cadeias produtivas de proteínas animais. O que se pretende é ampliar o conhecimento da dinâmica dos GEE na piscicultura em tanques-rede e a possibilidade da aquicultura se apresentar como alternativa de produção de carnes com baixa emissão de carbono.
 
Conforme destacou a chefe adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, Ana Paula Packer, “ a definição de uma metodologia ideal irá colaborar na mensuração da pegada de carbono da produção de proteína de peixe no Brasil. Nesse sentido, é necessário o mapeamento das emissões na atividade, em função dos diferentes reservatórios existentes no País e que se configuram em um enorme potencial para alancar a atividade”.
 
O trabalho de abordagem do protocolo para amostragem e determinação de fluxo de gases de efeito estufa GEE na interface água-atmosfera e concentração de GEE dissolvidos na água tem como autores as pesquisadoras Ana Paula Packer e Fernanda Garcia Sampaio da Embrapa, Plínio Carlos Alavava e Luciano Marani do Inpe e Marcelo Gomes da Silva do CNPq.
 
Crescimento da produção de proteínas de peixes
 
Ampliar as informações sobre a emissão associada a aquicultura é uma das principais demandas atuais, já que é uma das atividades de produção de proteína que mais cresceu no Brasil nas últimas décadas, devido principalmente à incentivos de programas governamentais.
 
Mundialmente a maior produção de proteínas de peixes ocorre principalmente na Ásia e China (70% da piscicultura). Gomes lembra que no Brasil há uma extensa malha hidrográfica e diversos reservatórios com grande potencial para produção aquícola. Ainda segundo ele, os nossos reservatórios são tropicais e isso beneficia o crescimento das espécies, mas o pesquisador destaca que é de extrema importância avaliar se esse tipo de atividade causa impactos ao meio e em que medida, seja como estratégia ambiental, legal e até de mercado.
 
“Reservatórios, de forma geral, são produtores naturais de GEE e precisamos identificar se as atividades alteram significativamente a emissão e quantificar o quanto altera para que tenhamos um sistema produtivo mais sustentável, capaz de conquistar o mercado ” disse.   
 
BRS Aqua
 
O estudo é componente do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua),” um ambicioso projeto de pesquisa em aquicultura que visa estruturar o setor e também a pesquisa científica necessárias para atender demandas dos produtores e do mercado aquícola no País. Como o perfil do projeto é estruturante, o BRS Aqua vai gerar diversos produtos e, entre esses, deixará um importante legado no incremento da infraestrutura para a realização de futuras pesquisas na área da aquicultura.
 
O BRS Aqua reúne ações de pesquisa e de transferência de tecnologia que envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes. Conta ainda com dezenas de parceiros públicos e de empresas privadas.
 
São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o (CNPq), além de outros R$ 6 milhões da Embrapa.

Fonte: Embrapa
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O documento apresenta um conjunto de tecnologias e metodologias testadas e verificadas para amostragem e determinação de GEE em reservatórios