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Cooperativas agropecuárias do Brasil faturaram R$ 200 bilhões em 2017

17 de maio de 2018

As cooperativas de produção agropecuária no Brasil faturaram R$ 200 bilhões em 2017. O valor representa um crescimento de 10,61% em relação à receita registrada em 2016, que foi de R$ 180,8 bilhões. A informação é da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O cooperativismo vem se descolando da realidade do país em termos de crescimento. Vem crescendo mais”, avalia Renato Nobile, superintendente da OCB, que concedeu entrevista a Globo Rural durante a Agrobrasília, feira de tecnologia agrícola realizada nesta semana, em Brasília (DF).

Ele diz que o resultado reflete a maior industrialização, o que agrega valor. É o investimento em transformação de soja em óleo, por exemplo, ou o maior destino dos grãos à produção animal. Esse movimento foi ajudado por um mercado, no geral, favorável para os negócios das cooperativas.
 
“Na venda de produtos ou compra de insumos, a cooperativa serve como um balizador de preços. O desafio ao agregar valor é manter o equilíbrio entre conseguir os insumos com menor custo ao mesmo tempo remunerar bem os produtores”, explica o superintendente da OCB.
 
As cooperativas agropecuárias também exportaram mais em 2017. Foram US$ 6,16 bilhões, 20,07% a mais que em 2016: US$ 5,13 bilhões. O complexo soja respondeu por 28% do total, com US$ 1,74 bilhão. Depois aparecem açúcar e etanol, com 26% (US$ 1,6 bilhão), aves, com 21% (US$ 1,28 bilhão), café, com 11% (US$ 706 milhões) e suínos, com 6% (US$ 341 milhões).
 
Os dados da OCB mostram ainda que a China foi o principal destino dos embarques, respondendo por 19% das exportações das cooperativas agropecuárias. Depois aparecem os Estados Unidos (8%), Emirados Árabes (7%) e Alemanha (7%).
 
2018
 
Renato Nobile diz acreditar que a trajetória de crescimento na receita das cooperativas agropecuárias deve se manter em 2018. Porém, sinalizando certa cautela, o superintendente da OCB não arrisca uma estimativa.
 
Ele destaca, de um lado, o bom desempenho da soja, com crescimento da safra em meio a preços elevados, em função da quebra da safra argentina. Mas vê motivos de preocupação para o milho de segunda safra por causa do clima em algumas regiões produtoras, especialmente no sul e sudeste.
 
“A expectativa é de crescimento da receita, mas tem a contingência de cada safra. A soja foi positiva, uma realidade importante para o país. Mas uma apreensão na segunda safra de milho com o clima. Valoriza o grão para o produtor, mas tem impacto na cadeia toda”, analisa Nobile.
 
O desempenho das cooperativas também dependerá das condições a serem anunciadas no Plano Safra para o ciclo 2018/2019, que começa oficialmente no dia primeiro de julho. O superintendente da OCB acredita que o governo deve pelo menos manter o volume de recursos da safra atual.
 
Mas dá como praticamente certa a redução das taxas dos programas de financiamento, que ficariam mais próximas da Selic, os juros básicos da economia, hoje em 6,5% ao ano. Segundo Nobile, o setor cooperativo sugeriu um corte médio de 3 pontos percentuais nas principais linhas. Mas o que se sinaliza até agora é uma redução de apenas 2 pontos.
 
“Estamos fazendo a nossa defesa da equalização dos juros. Parece haver uma boa vontade e é compreensível a situação econômica do país. Mas a importância e o resultado que dá o agronegócio é o argumento que temos”, diz ele.
 
Entre os 13 setores da economia onde o sistema cooperativista está inserido no Brasil, a agropecuária é o mais representativo. Das 6,65 mil cooperativas contabilizadas pela OCB, 1,55 mil estão na produção rural, com mais de um milhão de associados.

Fonte: Revista Globo Rural
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