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Pecuaristas precisam de planejamento para enfrentar seca e cheias no Pantanal

19 de maio de 2017

O processo nutricional do rebanho bovino criado no Pantanal é totalmente diferente dos animais criados em outros biomas, assim como a logística, que exige planejamento específico para que a entrega, de rações e sais minerais, por exemplo, seja realizada antes da época das cheias. A afirmação da veterinária Ana Cristina Andrade Bezerra, responsável pela alimentação dos animais de dezenas de Fazendas no Pantanal sul-mato-grossense, fez parte da palestra “Proposta de suplementação para fêmeas de cria no Pantanal”, apresentada nesta quinta-feira (18), no Encontro da Pecuária Pantaneira no Corixão.

Segundo a veterinária, integrante da equipe técnica da Servsal Nutrição Animal, para atender as áreas passíveis de alagamento, foram necessárias adequações. Entre elas a criação de um depósito na região, adquirir uma frota específica capaz de chegar às propriedades, criar um planejamento de entrega de rações antes da época das águas, além de adaptar os produtos para que supram o déficit nutritivo da pastagem, ocasionados pelas cheias.

“A pastagem do Pantanal tem como característica a variação nutricional durante todo o ano. Após as cheias o capim tende a ficar mais fibroso, o que dificulta a nutrição, e torna mais demorada a passagem pelo rúmen, além do teor nutritivo prejudicado. Já durante as cheias, os animais sobrem para os capões, onde estão o capim de pior qualidade. Nos períodos intermediários há oferta de vários pastos nativos presentes nas vazantes e baixadas que tem ótima qualidade. Por isso a necessidade de criarmos produtos personalizados, que supram essa deficiência nutritiva que varia várias vezes durante o ano”, pontua a representante da Servsal.

A entrega dos produtos é outro desafio. Para nutrir a pecuária pantaneira a empresa leva em consideração o calendário de cheias e o contato direto com um grupo de produtores rurais da região. O período de águas na região Norte de MS compreende os meses de dezembro a maio, já na Nhecolândia, quando tem cheia, o período vai de janeiro a junho. “Apesar desse calendário, é indispensável o contato direto com os pecuaristas, que por meio de um grupo online nos sinalizam sobre a frequência de chuvas, tornando possível a entrega da suplementação”, explica Ana Cristina.

Segundo ela o planejamento para entrega da suplementação deve ocorrer nos meses de setembro e outubro, assim o pantaneiro não corre o risco de deixar seu rebanho sem alimentação adequada para maiores produtividades, principalmente no período que coincide com as estações de monta, tema que também será abordado no Encontro da Pecuária Pantaneira no Corixão, evento que se estende até o dia 21 de maio, na Fazenda Corixão, localizada na Nhecolândia.


Fonte: Agroa
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