Notícias

PF analisou a carne de apenas uma empresa em 2 anos de investigação

20 de março de 2017

Em dois anos de apuração para a Operação Carne Fraca, a Polícia Federal fez perícia em alimentos produzidos por frigoríficos em apenas um caso. A análise foi feita em produtos da Peccin Agro Industrial, empresa curitibana responsável por alimentos da marca Italli.

Segundo a PF, foi constatado o uso de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças, "maquiagem" de carnes estragadas, falta de rotulagem e refrigeração.

A Peccin nega as irregularidades. O ministro Blairo Maggi (Agricultura) questionou neste domingo (19) a parte técnica da investigação, afirmando que as práticas consideradas irregulares são, na verdade, permitidas por lei.

Na parte pública do relatório da polícia, de mais de 300 páginas, há descrição de indícios de corrupção entre empresas e servidores do Mapa (Ministério da Agricultura) e de irregularidades cometidas pelos frigoríficos na produção de alimentos, apuradas a partir da análise de grampos e depoimentos.

Uma das práticas constatadas pela PF é a concessão desenfreada de certificados que exigiam, na verdade, fiscalização. Por dinheiro, lotes de carne e asinhas de frango ou outros presentes, servidores assinavam documentos sem checar se as regras estavam sendo cumpridas.

O relato de um fiscal afastado após tentar cumprir seu trabalho desencadeou a abertura do inquérito. A PF ouviu funcionários de empresas que corroboraram com a versão do denunciante e quebrou sigilos telefônicos e bancários de investigados.

Nem todas as 32 empresas alvo da Carne Fraca são suspeitas de vender alimentos impróprios para o consumo.

A JBS, maior empresa do setor, está implicada diante da atuação de funcionários da Seara e da Big Frango.

Segundo a PF, o funcionário da Seara Flavio Cassou dava dinheiro e alimentos a servidores em troca da emissão de certificados, sem a devida fiscalização, para a venda e exportação de produtos.

A empresa afirma que ele foi contratado em 2015 e era mantido pela JBS, mas trabalhava cedido ao Mapa.

O ex­presidente da Big Frango, controlada pela JBS, o executivo Roberto Mulbert, aparece perguntando a uma servidora sobre a possibilidade de prorrogar a data de validade de embalagens.

A situação da BRF, segunda maior companhia do setor, é mais delicada. Funcionários são acusados de oferecer vantagens a servidores para afrouxar a fiscalização e de, por meio de suborno, evitar a suspensão de fábrica em Mineiros (GO), onde havia incidência de salmonella.

O gerente de relações institucionais da BRF, Roney Nogueira dos Santos, que foi preso, aparece em escutas feitas da PF. A empresa diz não compactuar com ilícitos.

Também há evidência de que produtos da BRF, que é dona da Sadia e da Perdigão, eram vendidos fora do padrão exigido –como frangos com absorção de água superior ao permitido.


Fonte: Folha de São Paulo
Voltar Imprimir
Deixar um comentário
Nome
Comentário
 

Notícias recentes

Queda no mercado atacadista estreita a margem dos frigoríficos 23 de janeiro de 2018 A demanda fraca desde o início do ano se intensificou ao longo da última semana e o reflexo disso foi mais pressão sobre a cotação da arroba do b...
Mapa autoriza redução da dose da vacina contra aftosa 23 de janeiro de 2018 A Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (...
JBS: pecuarista será restituído da diferença de Funrural de janeiro 22 de janeiro de 2018 A JBS informou nesta segunda-feira, 22, que vai restituir pecuaristas que tiveram seus animais abatidos pela empresa no período do primeiro dia útil...
Carne bovina: vendas fracas no varejo e mercado pressionado 22 de janeiro de 2018 A situação é de vendas ruins, embora os movimentos de baixa sejam menos intensos no varejo do que no atacado, como já vinha ocorrendo em 2017.A co...
Frigoríficos testando o mercado 22 de janeiro de 2018 No fechamento da última sexta-feira (19/1) o cenário foi de um viés baixista. Das trinta e duas praças pecuárias pesquisadas pela Scot Consultori...
Com maior oferta, preço do milho recua na maioria das regiões 22 de janeiro de 2018 A maior disponibilidade interna tem pressionado os valores do milho em muitas regiões acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias. A queda está atrela...
Segunda-feira poderá ter sol na maior parte de Mato Grosso do Sul 22 de janeiro de 2018 Depois de um longo período de chuvas, o sol deve predominar e deixar o tempo firme na maior parte de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (22.1), d...