Vacina contra aftosa reduz dose, mas produtor ainda banca o ônus

Segunda, 23 de setembro de 2019 às 10h56

Em novembro o Mato Grosso do Sul e outros estados mobilizam-se novamente para  vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa. É preciso ficar de olho  no preço do produto no mercado. Antes de tudo é importante pesquisar, por que sondagens mostram grandes variações de preço do produto no varejo. Apesar da redução da dose – de 5 ml para 2 ml, a indústria veterinária tem na vacina seu segundo maior faturamento. Então, a época da vacinação é um dos períodos mais aguardados pelas revendedoras. Um filão que vai acabar já que a vacinação será suspensa em todo o País, gradativamente, seguindo o Plano Estratégico de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa. 

 
Mato Grosso do Sul tem sido vigilante na erradicação desta doença, que no passado já causou grandes prejuízos para a economia regional. Entretanto, o produtor sempre foi o grande patrocinador dessas campanhas, já que é ele quem desembolsa grandes quantias para adquirir a vacina no mercado, sem quaisquer subsídios públicos, embora a sociedade como um todo receba os créditos pelo bom desempenho dos pecuaristas.
 
O MS, que tem se mantido entre os três estados com melhor percentual de cobertura vacinal do País, e é destaque em todo País pela excelência do serviço oficial de defesa agropecuária, vem trabalhando com afinco na agenda do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa  que prevê a retirada definitiva da vacinação até 2021. O programa está alinhado com o Código Sanitário para os Animais Terrestres, da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), e as diretrizes do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa, em prol também da erradicação da doença na América do Sul.
 
No ano passado a vacina (ainda de 5 ml a dose), que em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso ficou em média entre R$ 1,15 e R$ 1,35 a dose, este ano não há previsões de preços, já que a própria indústria, que fabrica em quantidade absurdamente maior que a demanda, irá enfrentar uma queda na mesma medida em que os estados vão sendo liberados de vacinar.
 
No ano passado tinha a desculpa da cotação do dólar para o alto preço da vacina. Este ano, pelas previsões do próprio setor, vai sobrar muita vacina – já que segundo o Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal), serão produzidas 1 bilhão de doses, para uma demanda anual prevista de 330 milhões de doses, e em ritmo de queda até a extinção da obrigatoriedade geral da vacina, para 2023.
 
Se a conta deve ser feita em cima da lei da oferta e procura, obrigatoriamente o preço este ano deve cair. Contra o pecuarista ainda tem a cotação da arroba do boi gordo, que andou praticamente de lado o ano inteiro.
 
A Acrissul vai manter-se vigilante, cobrando dos Poderes Públicos uma fiscalização rigorosa sobre os preços praticados pelo mercado. Já que o setor continuará arcando com o ônus, pelo menos que seja por um preço justo.
 

Jonatan Pereira Barbosa

Palavra do Presidente

Presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul)