Colunistas

Jonatan Pereira Barbosa

Palavra do Presidente

Presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul)

Um 2016 difícil, mas superamos

Terça, 20 de dezembro de 2016 às 10h25

O agronegócio brasileiro emplacou um desempenho notável em 2016; em 2017 não será diferente. Se julgarmos os resultados do setor agropecuário medidos a partir do PIB (Produto Interno Bruto), não resta dúvida nenhuma de que foi o único setor da (destroçada e em recuperação) economia brasileira que obteve resultados positivos.

Recente balanço divulgado pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), mostra que diferente do resultado global do Brasil, o PIB do agronegócio deve crescer entre
2,5% e e 3,0% demonstrando, assim que o setor sofreu menos que os demais setores da economia em um ano adverso. Esse resultado ampliará a participação do setor na economia devendo atingir aproximadamente 23% do total do PIB brasileiro. Lembrando que PIB é a soma da toda a riqueza produzida por um país.

Particularmente todos lembramos que o Brasil vinha um de uma jornada de crescimento sem precedentes desde a implantação do Plano Real (em 1994). Até o início da década de 2010 as palavras crises e recessão, apesar da forte pressão mundial, pareciam vocábulos distantes dos brasileiros. Tanto é que a geração nascida junto com o Plano Real jamais havia assistido o Brasil em recessão.

Infelizmente mais por razões domésticas, a má condução da política econômica brasileira, agravada pela crise política a partir dos escândalos que derrubaram políticos de vários tamanhos, acabou por arremessar o País num efeito dominó que afetou o emprego, o crédito, a renda e, consequentemente o consumo, jogando milhares de famílias brasileiras na inadimplência, reduzindo o poder de compra.

O setor do agronegócio, numa onda extremamente positiva diante da cotação do dólar, elevou significativamente em 2016 suas exportações de carnes, grãos e outras commodities, aliviando um pouco a pressão baixista interna, principalmente sobre o preço da arroba do boi gordo, que manteve-se estável ao longo do ano. Pode não ter sido a cotação ideal, mas pelo menos estabilizou-se.

Esta situação confortável garantiu que a agropecuária fosse o único setor a registrar saldo positivo na oferta de empregos, ao contrário dos setores de serviços e indústria.

Mas nem tudo foram rosas. Outros fatores como estiagem, quebra de safra e excesso na exportação de grãos, acabaram afetando sobremaneira setores que dependem essencialmente de insumos como milho e soja, como a avicultura e a suinocultura, além da pecuária de corte e leite, que utilizam ração como suplemento alimentar do rebanho, a pasto ou em confinamento. Tudo isso elevou consideravelmente os custos de produção, achatando a remuneração do produtor.

Enfrentamos esse ano, ainda, uma leve desvalorização do preço do bezerro, a principal moeda de troca da pecuária, em claros sinais de que é mais um ciclo que se fecha, em função da retenção de matrizes e da consequente oferta maior de animais para recria a partir do próximo ano. A solução é o pecuarista adotar uma postura diante do mercado e administrar a fazenda de forma a não ser atropelado pelas oscilações da oferta e da demanda.

O resto é ter fé, trabalhar muito e acreditar que o próximo ano vai ser muito melhor.

Feliz Natal. Feliz Ano Novo.

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Cotações de 17/08 - MS

R$ 123,00 Boi gordo
R$ 113,50 Vaca gorda
R$ 1087,20 Bezerro à vista